As flores são sem dúvida alguma um dos meus motivos preferidos para fotografar. Pela sua delicadeza e complexidade, pela sua forma e cor, elas não deixam de me surpreender e querer fotografar-las mais . Agora que estamos na Primavera, é de aproveitar e sair de casa com o equipamento apropriado para fotografar as flores que cobrem os campos. É claro que não há flores por tudo o que é campo, nem pouco mais ou menos. É preciso procurar, e com alguma sorte encontramos uma boa área repleta de flores. Às vezes um punhado de flores na berma de um caminho é o suficiente. Mas claro que com uma área maior as hipóteses de mais e melhores fotografias é maior.
Foi o que eu o fiz no fim de semana passado. Saí de casa e fui até ao “Sítio das Hortas” em Alcochete, onde, por experiência do ano anterior, sabia haver muita papoila e outras flores. E lá estavam elas… O dia apresentava-se nublado, o que era óptimo. Pois as nuvens faziam o efeito de filtro e cortavam os raios de sol mais fortes e tornavam a cena mais homogénea. Tirei algumas fotografias até o sol acabar por aparecer em força e arruinar muitas das fotografias que fui tirando. Valeu pelo passeio e pela conversa com uma senhora que passeava o seu cão e meteu conversa comigo dizendo que, sempre por esta altura do ano, se lembra que devia comprar uma máquina fotográfica justamente para fotografar as belas flores que crescem nos campos. Pensava ela se seria a única que gostaria de fotografar as flores à beira da estrada. Mas não era, como devia calcular a senhora.
A grande prova aconteceu no dia seguinte, depois de almoço. Depois de almoçarmos num restaurantezinho perto de Olhos de Água, zona de Setúbal, deparei-me com um terreno pejado de flores vermelhas, amarelas, lilás e brancas. Um autentico festival clorido. Voltei a casa para deixar a esposa pois está grávida e precisa de descansar e fui buscar o equipamento preparado de véspera.
Dirigi-me para o terreno. Chegado lá vi um homem a cavar ao longe. Deveria ser o dono do terreno. Achei por bem ir pedir licença para invadir a sua propriedade e para fotografar-la. Assim foi. O senhor não se mostrou muito surpreendido pois já alguém havia feito o mesmo, inclusive uma estação de televisão a quem ele negou o pedido. A razão para tal nega terá sido o facto de supostamente as imagens servirem para divulgação, facto que não agrada à maioria dos proprietários. No meu caso , eu aleguei que as imagens seriam para uso pessoal, um hobbie, uma mera colecção de imagens. Por ele tudo bem. Só não podia ir para o meio do terreno pois poderia pisar o tremoço que estava ali plantado. Eram as referidas flores amarelas. Encantado. Cinco estrelas o senhor. Como se não bastasse a boa vontade, o senhor deu em falar e nunca mais acabava o seu discurso a respeito do 25 de Abril (não sei porquê começou a falar disso) e seus frutos nos dias de hoje. Tive que alegar razões técnicas para pôr termo à conversa. O senhor compreendeu e voltou-me as costas, voltando a cavar o canteiro das suas batatas.
Eu fui à minha vida. Encantado.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição manual; expos. a 1/640 seg em f / 5.3; com tripé e cabo disparador.
Para esta fotografia e algumas das próximas quis aproveitar o tapete de cor lilás que havia no plano de fundo. Para isso bastou baixar-me e pôr-me ao nível das flores, de modo a que o fundo se tornasse o lilás pretendido. Claro que sujei as calças, mas paciência, tinha de ser. O valor de “f” que usei foi intencionalmente baixo para que esse fundo lilás e algumas das flores que se apresentassem a meia distância do ponto de focagem ficasse propositadamente desfocado. Dando assim um efeito cromático mais interessante à imagem.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição manual; expos. a 1/500 seg em f / 5.6; com tripé e cabo disparador.
No caso da imagem em cima, deixei uma flor (amarela) entre a objectiva e a flor focada (papoila) de propósito pois sabia que esta iria ficar desfocada e dar uma nuanse à imagem.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição prioridade de abertura; expos. a 1/640 seg em f / 5.6; com tripé e cabo disparador.
O vento que se fazia sentir por vezes era forte e nem sempre ajudava a apanhar a flor na posição ideal e principalmente parada, para que esta não ficasse desfocada. Para contornar este facto usei o disparo continuo que faz cerca de 3 (ou mais) fotos por segundo o que aumenta a probabilidade de se obter a fotografia pretendida.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição manual; expos. a 1/400 seg em f / 5.6; com tripé e cabo disparador.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição manual; expos. a 1/640 seg em f / 5.6; com tripé e cabo disparador.

Nikon D300; lente Nikon 18-200mm; ISO 200; modo exposição manual; expos. a 1/500 seg em f / 5; com tripé e cabo disparador.
Uma sessão fotográfica deste género é muito gratificante pelo contacto com a natureza e pela proximidade com o mundo das flores e dos insectos. Uma sessão destas faz bem à vista e ao espirito. Não seria à toa que este era um dos motivos preferidos dos grandes pintores impressionistas. O contacto com a natureza desta forma é sem dúvida alguma um privilégio que todos deveriam usufruir, ter gosto, e respeitar. A este privilégio acresce o facto de ser possível trazer para casa um pouco dessa maravilha que a natureza nos proporciona.
Espero que tenham gostado das fotografias como eu gostei de as tirar e de vos mostrar.
Obrigado!





























































